O rio que fica

29 janeiro, 2010

O bom não é o último dia.
O bom é perceber que não há aquela sensação desesperada de liberdade.
E isso significa, pra mim claramente, que o ser que habita esse corpo
conseguiu absorver todas as experiências de forma positiva.
Todas as vezes que quis xingar as fontes que não atendiam ao telefone,
as vezes em que tive vergonha de procurar ou medo de perguntar,
os dias em que voltei da redação e só tiver força pra chorar.
Tudo, tudo o que houve de doloroso… não dói mais.
E já não doia há alguns dias.
É por isso que minha felicidade acontece não porque vou embora.
Mas sim porque estou construindo a vida.
O que fica, além da gente que ajudou a me formar, é o rio. E as montanhas e nuvens.

FC

28 janeiro, 2010

Não basta você ir ao jogo, tem que ser na geral.
Há chance de sobrar um espaço no alambrado pra gente se pendurar
e balançar a grade em um momento de fúria.
Há chance de sentir vergonha alheia em compaixão aos jogadores… do seu time.
Na verdade o time não é meu – eu não conheço, nunca vi!
(Juro!)
Mas é a última semana por aqui. Vale tudo mesmo.
Até assistir o Brusque Futebol Clube.
Ave Viola!

Do fundo de casa

6 janeiro, 2010

É férias quando se senta na garagem e perde minutos olhando pras coisas.

Na mesa

2 janeiro, 2010

A gente começa assim: com delicadeza e simplicidade.
Quando acha que não tem força
fica torcendo pra acabar e poder reiniciar.
Mas tem que acabar mesmo, tirar o último sopro.
Pra depois respirar bem fundo.
Mas bem fundo mesmo.
Fixar no intelecto o crescimento e a serenidade.
Eu desejo, quero muito, enxergar as coisas com olhos claros.
Sem precisar de vidro nem esfregar com as mãos.
Quero muito que a gente se enxergue com justiça, sem julgamentos.
Que esse tal 2010 seja assim mesmo, com o pé no chão, mas sem receios.

Em tempo

31 dezembro, 2009

Antes que o ano acabe,
que passe na folhinha
e fique nas fotos, gravado nos recados,
armazenado nos textos lidos e esquecidos,
é preciso dizer.
Me lembrei do tanto de coisas que não esqueci ainda,
na beiradinha de um novo, de um aclamado e jurado feixe de meses.

Ainda tenho o queixo sobre as mãos,
os cotovelos sobre os joelhos,
e o corpo todo sobre uma rocha,
encaixada na lisura de um rio.

Ainda eu apalpo os músculos meio cansados
meio batidos
das costas, dos braços, da testa cheia de morrinhos.
Acabei de acordar, não sei ainda que filete de sol seguir.
Mas não tenho bem certeza se acordei.
Talvez ainda passe o dia com a sensação dos sonhos que se tem durante o dormir.
Talvez leve alguns meses me chacoalhando pra tirar as poeiras
e sensações de medo, de perda, de insuficiência e desconforto.
Aquelas que se tem quando a gente desdobra as asas amarrotadas,
força todo o corpo contra o casulo pra ver o vão.

Se foi aquele período de maturidade que chegou,
com impacto e força, deixando besta a minha cara,
quero ao menos permanecer sobre as pernas, em pé e firme,
como quem não tem o menor receio de estar.

Algum poeta disse – li hoje -
que do lugar onde estou
já fui embora.

É quase

13 dezembro, 2009

Pra quem vai ter que entrevistar um papai noel nesta semana,
caminhar pelas ruas a ouvir músicas de Natal não chega a ser um incômodo.
Ou você ou você entra nessa idéia.
E mais à frente, depois que já deixou de se irritar tanto com a comercialização natalina,
consegue mesmo sentir que as pessoas desejam isso e aquilo à você, com o coração.
É quase Natal.
Significa pouco.
A menos que a gente se lembre que é agora que se chuta o balde
e faz de tudo pra entrar num ônibus e avião e ir pra longe.
Mesmo que seja muito mesmo.
Só pra ficar com quem se quer muito bem.

À altura

2 dezembro, 2009

Pra contrastar com a queda surda de milhares de balões
[chuva de jujuba]
só um mar de crianças
[onda estridente].

Eram 1.700 delas em um a formatura,
depois de meses de aulas de um Programa de resistência às drogas e a violência.

O que diz de nós

22 novembro, 2009

Assim, tudo exposto numa sala de chão de madeira, barulhento.
Casa velha, remetendo há décadas.
Aí a gente para pra perceber que uma exposição de roupas de orixás,
imagens, oferendas e instrumentos musicais que se difundiram no Brasil
por conta do candomblé também nos leva longe.
Décadas não, séculos – aqui nesta terra vasta.

As guias estão aí, como estão os morros e as matas.
Estão também a ainda homogeinização e resistência da nossa cultura.

Pra celebrar

14 outubro, 2009

fena

fena (2)

fena (3)

fena (4)

Eu nem pensei que fosse ver esse povo todo junto.
Depois de tanto tempo, a cidade quase perdeu a auto-estima.
E agora chega outubro, todo mundo se veste
e coloca flor no cabelo ou puxa as meias até o joelho.
Aí, aquela vibe percorre todas as ruas,
desliza pela decoração nos postes e nas lojas.

Quem há de entender a alegria de ver uma dupla cantando música típica alemã
e pessoas de idades variadas dançando entre as mesas?
A festa aqui se chama Fenarreco.
Eu acho engraçado: Festa Nacional do Marreco.
Mas aqui os brusquenses se identificam com isso.
Eu acho lindo.

Dia_Sem_Carro_(10)

…o valor informativo de uma foto.