Expressão
29 março, 2010
Aqui não há nada da poesia melódica de “Barracão”
nem se ouve “a voz do morro sou eu”.
Aqui não tem samba, funk, aviãozinho.
O frio de alguns períodos do ano não deixa mostrar aquele calor das costas desnudas das favelas de lá.
Aqui não tem pipa, toque de recolher, assistencialismo.
Nem a escola é terreno da violência do dono da boca.
Mas creio que a imagem da favela, pra quem mora na favela, é igual pra quase todos.
A expressão do morro diante de si é um tal modelo.
É por isso que todos precisamos aprender a falar.
Pra falar de si com propriedade, com a realidade das minúcias.
E não do modo que a massa apreende – tão previsível e raso.
Não é barracão, eternit, viela, tijolo e concreto.
Não é tráfico, briga de galo, saque, barro.
Mas quem tem que saber, antes de tudo, é quem sobe e vive no morro.
